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8 de maio de 2026

ARTE E LOUCURA

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Ele é de fevereiro de 2004.

Boa leitura!



ARTE E LOUCURA

 

“A verdade é que arte e loucura, com freqüência, andam juntas, de mãos dadas”.

Frederico Morais – 1992

 

 

A arte é tão antiga quanto o homem. É um processo de trabalho, um processo de transformação, uma linguagem da sensibilidade humana. Ela se origina de uma necessidade coletiva. 

Desde a idade da pedra, o individuo feiticeiro, mágico ou artista, era quem plasmava as palavras, as pinturas nas cavernas e as canções.  Esse artista, da pré-história, tem uma função especial: a magia sobre a natureza para o fortalecimento da coletividade.

 

Na proporção direta em que a sociedade se distancia da vida em harmonia com a natureza, a verdadeira condição humana, o homem cada vez mais se fragmenta. O equilíbrio entre individuo e mundo exterior vai sendo perturbado, rompido.

 

O desejo do homem de se completar, absorver o mundo, integra-lo a si, preencher sua limitada existência, faz com que a arte se torne imprescindível: um caminho para a plenitude.

            O homem necessita da arte independentemente de sua sanidade mental.

 

A loucura acontece entre os homens, isto é, o engendra na sociedade. O louco é o inadaptado à ordem social vigente. Eles pensam, sentem e agem desafiando os padrões de convivência.

Freqüentemente o individuo sente-se acossado de tal maneira no mundo externo, que encontra saída somente na porta da loucura.  Humilhados e ofendidos não conseguem por meios próprios, chegar a uma compreensão das contradições e supera-las para alcançar uma nova serenidade, recompor-se com tranqüilidade. A volta para a vida “normal” é muito difícil,  muito mais difícil devido a não aceitação do seu mundo interno onde agora se encontra  e também pela maioria daqueles com que convive. Aqui, arte pode ser um caminho de volta.

 

            A arte com sua dinâmica de criação e transformação quebra regras, busca o novo, o inusitado, até mesmo o que não é normal. Um exemplo é Vincent Van Gogh, um artista, um homem em busca de sua identidade, em busca de uma arte inovadora, em busca da cor portadora de sua expressão individual, de sua imaginação, a cor da realidade da sua psique, vai contra todos os preceitos de uma época ! A sociedade o recrimina. Ele corta sua orelha já em delírio.

Como essa há inúmeras histórias de artistas que foram considerados loucos ou realmente enlouqueceram:  Camile Claudel, Frida Khalo...

O que não dizer então do artista da nossa época que, na leitura da sociedade contemporânea, muitas vezes é associado a um louco. Sua arte tenta romper com os modelos anteriores pois propõe soluções nada “normais” para os que os querem normóides.

Faces da arte e da loucura !

Ah! Esta nossa época tão conturbada! Será que ela não empurra o individuo para a loucura?

Não será loucura atirar um avião contra um prédio matando mais de 3.000 pessoas ?  (atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos )

Não será loucura invadir um país , matar crianças, mulheres e homens , com a justificativa de que se sente ameaçado ? ( invasão do Afeganistão e do Iraque pelos Estados Unidos )

Não será loucura trabalhar tanto sem ter lazer ?

Será loucura querer que todas as pessoas sejam tratadas como iguais ?

Será loucura falar de tudo isso ?

 

Arte e delírio caminham juntos por oceanos, estradas e céus... traduzem fragmentos, recortes de guerras, crimes, caprichos...denunciam horrores, amores, paixões , sonhos transmutam o inominável, o monstruoso sem beleza, em utopia.

 

 

 

Quem pode fazer arte ?

 

 

A imaginação é certamente uma faculdade que devemos desenvolver, e só ela nos pode levar a criação de uma natureza mais exaltadora e consoladora do que o rápido olhar para a realidade...

            Vicent Van Gogh

 

 

 

Os conceitos de ARTE acompanham as mudanças sociais e históricas, antes, no dizer de Lukács a arte se constitui na prévia ideação da evolução da humanidade.

A partir do século XX, a arte rompe com os padrões clássicos, dando abertura para que o fazer artístico de crianças, loucos e outras minorias, possam ter uma aproximação com o conceito acadêmico da ARTE.  A produção infantil pôde se vista com menos preconceitos e  também possuidora de uma qualidade estética.

Em 1922, com o livro de Hans Prinzhorn, Expressões da Loucura,  uma série de trabalhos de doentes mentais de instituições psiquiátricas é divulgada e reconhecida como obras  de qualidade artística . O valor estético desses “loucos” começa então a ser reconhecido publicamente.

 

O pintor Jean Dubuffet , em 1945 inicia  uma das mais importantes pesquisas desenvolvidas na Europa. Cria o conceito de arte bruta que ele define como  “produções de toda espécie – desenhos, pinturas, bordados, modelagens esculturas - que apresentam um caráter espontâneo e fortemente inventivo, que nada devem aos padrões culturais da arte, tendo feitos por autores pessoas obscuras, estranhas aos meios artísticos profissionais.”  Dubuffet não esperava que a arte fosse normal. Ao  contrário , que fosse inédita, imprevista e extremamente imaginativa.

 

 A Arte é, em essência, uma só, não importa se feita por brancos, negros, índios,mulheres, homossexuais, esquizofrênicos ou psicopatas.

 

“A loucura, em alguns aspectos, não destrói a capacidade criadora. A loucura pode ser uma circunstância como o são a guerra, a fome, a repressão política, o ambiente familiar ou as tradições culturais de um pais. Uma circunstância capaz de impregnar o ato criador e de lhe dar sentido. Por mais adversas que sejam estas circunstâncias, o instinto criador do homem sobrevive.”

Frederico Morais - 1992

 

 

 

A introdução de Ateliês de Arte em Clinicas Psiquiátricas

 

“A moldura da nossa mente é infinita. Nosso inconsciente é pintado sem proibições. A vida não morre com as perdas externas, mas com as internas.”

 Sidney Alves

 

A introdução de Ateliês de Pintura nas clínicas,  aconteceu no Brasil pela primeira vez com a psiquiatra Nise da Silveira  na Seção Terapêutica Ocupacional de Centro Psiquiátrico Pedro II , no Rio de Janeiro .

Nise organizou, em 1946, ateliês de pintura e de modelagem pensando num tratamento mais humano para os doentes esquizofrênicos do Centro Psiquiátrico. Quando o atelier foi aberto  tinha como monitor o artista Almir Mavignier, hoje pintor de renome internacional e professor de arte. Sua participação foi fundamental na história desse trabalho.

O Centro Psiquiátrico tinha então 1500 (mil e quinhentos) internos, em sua maioria esquizofrênicos crônicos, que normalmente ficavam abandonados no pátio do hospital. Aos poucos a equipe de psicólogos, psiquiatras, e artistas plásticos foi descobrindo um grupo de pessoas que tinha uma produção de destaque.

A produção se revelou de tão alta qualidade e com tal interesse científico que nasceu então a idéia de organizar um espaço que reunisse a arte criada. Hoje, o Museu de Imagens do Inconsciente tem mais de 300 (trezentos) mil documentos (telas, pinturas, desenhos e investigações cientificas) e oferece ao pesquisador condições para o estudo das imagens e símbolos, bem como a possibilidade de acompanhar a evolução de casos clínicos. Diariamente  são acrescentadas novas obras o que torna este um museu vivo .

Com este trabalho constata-se  que a esquizofrenia não atinge a criatividade ou a inteligência do doente. Combate também a idéia de que os loucos  são seres embrutecidos  e desprezíveis. Através da expressividade das pinturas pode-se ver a riqueza da alma destas pessoas rotuladas como embrutecidos.

O trabalho no atelier do Centro Psiquiátrico é um acompanhamento durante e depois da criação, onde o psicólogo e o artista estão sempre observando os temas, as cores e as técnicas recorrentes.

 

“Não fazemos, no ateliê , uma apologia à loucura por valorizarmos sua riqueza criativa. Nosso esforço é para que aceitem de forma mais saudável e prazerosa tal condição mental”

 

Os terapeutas não interpretam ou julgam as obras pintadas pelos esquizofrênicos. Ao contrário, estimulam que o próprio artista o faça. “o que fazemos é oferecer-lhe um acompanhamento” explica a psicóloga Maria Abdo. “O efeito da expressão artística é mais imediato – pintando sua angustia, o esquizofrênico despotencializa algumas emoções”

Nise da Silveira nos dá prova de que loucura também produz arte e o louco consegue meios para expandir sua sensibilidade.

 

 

 

Luta anti-manicomial

 

Por uma sociedade sem manicômios !

 

No Brasil, a partir da década de 70 ,nasce  o Movimento Nacional de Luta Anti Manicomial - um movimento da Reforma Psiquiátrica . Este movimento se torna vitalizado e com visibilidade social, quando se caracteriza pela desinstitucionalização,  não como sinônimo de des-hospitalizaçao, mas de transformação de saberes e práticas em lidar com a loucura, trazendo a necessidade do atendimento inter-transdiciplinar.

Nessas considerações estão implícitas novas formas de relacionar em saúde mental, abrindo o campo para outros profissionais, em destaque para os que lidam com arte e o processo criativo, na busca de cuidados mais flexíveis e estimulantes. Dentre estes, as Oficinas Terapêuticas de Arte surgem com complementação do trabalho de reinserção  social das pessoas em sofrimento psíquico.

A arte como processo de estimulo a criatividade, permite aos usuários a expressão e comunicação de idéias e emoções, possibilitando o aumento de sua auto- estima e a expansão emocional, diminuindo sua ansiedade.

O dia 18 de maio, dia da Luta Anti-manicomial, é uma data nacional, ocorrendo desde 1995 em Uberaba, com a participação efetiva da comunidade e profissionais da saúde.

Essa luta consiste num ato de protesto para erradicar tratamentos obsoletos que em nada auxiliam na melhora e auxílio ao enfermo mental. Choques elétricos, confinamento e algemas eram alguns dos "métodos" utilizados. Em alguns casos, executavam a famigerada lobotomia, operação no cérebro que impossibilitava o indivíduo às reações, tornando-o uma espécie de "morto-vivo", um ser em estado meramente vegetativo.

Nas questões legais alguns ganhos tem sido feitos. A Lei Paulo Delgado prevê uma reforma nos tratamentos psiquiátricos. 

 

"A lei anterior tratava o doente mental como um indivíduo de alta periculosidade, quase um criminoso. Atualmente, através da nova legislação, novas propostas foram oferecidas ao enfermo, resguardando sua integridade."

 

            Este assunto é muito atual, pois desde julho de 2003, esta em vigor a Lei 10.708 – ou  a “lei da volta para a casa” . Esta lei é um auxílio-reabilitação para que pessoas internadas em hospitais ou unidades psiquiátricas continuem seu tratamento em família.

A psicóloga Maria de Fátima Caiedo, da Fundação Gregório Baremblit de Uberaba, afirmou que ainda existem no Brasil cerca de 80 ( oitenta) mil doentes mentais trancafiados em hospícios. “E o resultado é a quebra dos laços familiares, não há possibilidade de uma reintegração do doente na sociedade”.

 

 

 

 

 

 

Fundação Gregório F. Baremblitt de Uberaba

 

 

A Fundação Gregório Baremblitt de Uberaba foi instituída em 17 de julho de 1991 por uma equipe de 11 (onze) profissionais, na maioria da área da saúde e religiosos, mas  enquanto instituição não se vincula a nenhum deles.

 É uma instituição sem fins lucrativos, e de reconhecimento de Utilidade Pública Municipal e Estadual, de natureza laica, ou seja, atende pessoas de todos os credos religiosos .

Com o objetivo principal de promover atenção a pessoas em crise, através da equipe técnica multidisciplinar composta de psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais, a Fundação trata de qualquer sujeito acometido de intenso sofrimento psíquico, que requeira em algum momento de sua existência, cuidados intensos.

Há todo um trabalho medicamentoso, atividades e oficinas, psicoterapia e atenção à família dos usuários e beneficiários.

O CAPS, que recebe o nome de Projeto Maria Boneca, realiza acolhimentos, tratamentos e reabilitação de portadores de transtornos mentais severos ( psicóticos, esquizofrênicos e neuróticos graves ).

A maioria dos usuários tem cuidados diários. Grande parte da clientela já passou por tratamentos longos e em manicômios, com tratamentos desumanizantes como o uso do choque elétrico e cela-forte.

Ao ser internado, o doente mental perde oportunidade de trabalho, instrução e ate mesmo de vínculos afetivos. Os conflitos familiares são uma constante.

 A Assistente Social Gilda Crozara é presidente da Associação dos Usuários, Familiares e Trabalhadores da Saúde. Segundo ela, a participação da família é fundamental. "O Naps (Núcleo de Atenção Psicossocial), promove reuniões mensais com a família para que haja um suporte no tratamento do doente mental. Há uma participação efetiva. Inclusive na luta antimanicomial estão engajados familiares, a população e várias instituições como a Cria e a Associação Cristã de Assistência ao Doente Mental Pobre, que atende crianças e adolescentes com distúrbios mentais, Secretaria Municipal da Saúde dentre outras", relata. Não há confinamento nos muros da instituição, já que esse método é ultrapassado.

            A clínica atende atualmente cerca de 160(cento e sessenta) pessoas.

 

 

 

 

O trabalho com arte no  “Maria Boneca”

Que arte é essa ?

 

 

“Na arte como nas relações humanas, que incluem os laços amorosos, nadamos contra a correnteza”.

Lia Luft

           

            O trabalho de Oficina de Arte na Fundação G. Baremblit, iniciada neste ano, volta-se para o atendimento, principalmente, de pessoas portadoras de transtornos mentais severos, já que estas têm uma menor participação em outras atividades que exigem habilidade motora e concentração.

            O trabalho com as cores na técnica da pintura foi bem recebido já que não existiam limites rígidos a serem respeitados. Cada um fazia a escolha de tons e matizes, executava a pintura de acordo com seu próprio tempo. Alguns elaboravam mais o desenho, outros se atinham na mistura de tons. O objetivo era trabalhar a individualidade e desenvolver um processo onde o participante se desenha, expõe seus desejos, escolhe suas cores, garatuja ou escreve.

            Aos poucos, deitar no emborrachado, fazer o contorno do corpo e depois preenchê-lo com cores, palavras, formas, foi diminuindo a ansiedade e envolvendo cada um no prazer de usar o pincel sem ser recriminado. Na pintura não há erros e acertos. Tudo é possível na criação. Corpos pintados de verde, mãos que se transformam em pássaros, porta sem casa e um caminho que leva a lugar nenhum.

A mandala – símbolo da unificação teorizada pelo psicólogo Carl Jung – se constituiu num dos seus momentos, mas não ocorreu espontaneamente. Foi recebida com pleno envolvimento e criatividade. Desenhos dentro do círculo, o círculo se transformava...

O contato com reproduções de obras de artistas trouxe momentos de contemplação, de beleza surpreendentes. Retratos e auto-retratos. Quem é este que fuma, quem é este que esta triste e parado, quem sou eu .

Para concluir esta primeira etapa realizamos uma exposição de todos os trabalhos em local público. Na abertura os artistas compareceram para ver suas obras exposta. Quanto prazer em mostrar : esta pintura é minha, fui eu quem fiz ! Sorrisos largos, pensamentos bem dentro de si mesmo.

A abertura que o fazer artístico possibilita, permite que se fale indiretamente de seus problemas, sua vida, seus sentimentos para com o mundo. Não houve e não há  a intenção de leituras psicológicas. A intenção foi, e é, de proporcionar este encontro, o encontro com a arte, tão indispensável ao ser humano, hoje tão fragmentado . A arte com papel de reconstrução.

 

 

 

 

 

 

 

Referência Bibliográfica

 

AGUILAR, Nelson. Mostra do Redescobrimento . São Paulo : Associaçao Brsil 500 anos Artes Visuais – 2000

BICHUETTI, Jorge. Crisevida – Outras lembranças . Belo Horizonte : Biblioteca do instituto Felix Guattari, 2000.

COLI, Jorge. O que é arte. São Paulo : Editora Brasiliense – 1988

FICHER, Ernest. A necessidade da Arte.São Paulo : Circulo do Livro – 1981

SILVEIRA, Nise . Imagens do Inconsciente.Rio de Janeiro : Editorial Alhambra –1981

VAN GOGH, Vicent. Cartas a Theo – Porto Alegre : L&PM – 1997

 

http://www.crpsp.org.br/a_acerv/jornal_crp/096/frames/fr_luta_antimanicomial.htm

http://www.revelacaoonline.uniube.br/a2002/cidade/manicomio.html

 

 

29 de julho de 2024

Visita do mês de JULHO

 No mês de JULHO visitamos a casa-ateliê de Hercules e Wanice.

O casal realiza diferentes atividades artísitcas, entre elas a confecção de BIOJOIAS.

Biojoias são joias que combinam elementos naturais (como argilas, sementes, fibras, ossos e conchas) com metais preciosos (ouro, prata etc.), gemas (rubis, esmeraldas, diamantes etc.) ou pedras semipreciosas.
Este mês vamos conhecer o Ateliê de BIOJOIAS.



Na casa-ateliê tivemos a oportunidade de conhecer também um ateliê de arteterapia. 
Você sabe o que é ARTETERAPIA? São processos artísticos que auxiliam a pessoa no encontro consigo mesmo, é o uso da ARTE COMO TERAPIA. Wanice é arteterapeuta registrada na AMART e seu trabalho principal é com a CAIXA DE AREIA. 

Veja as fotos do dia da visita:

Antes de todas as visitas, nos encontramos nas proximidades do ateliê para conversarmos um pouco sobre a visita, oferecendo alguns dados sobre o que visitaremos.
 




O casal fez uma explanação da trajetória artística até a criação da marca das biojoias. O grupo ouviu e interagiu com muito interesse e emoção!






Foi uma visita bastante enriquecedora para todos os participantes.

















23 de maio de 2024

Visita Cultural do mês de MAIO - Ateliê Aguimar José Luiz

 



Dia 18 de maio foi dia de visita no ateliê do artista
AGUIMAR JOSÉ LUIZ.
Aguimar é ceramista, fazedor de arte, artesão, filosofo...


Visitar o ateliê de um artista, ouvir seu depoimento, conhecer seu local de trabalho é muito enriquecedor!







18 de março de 2024

Estudo Virtual do Mes de março


No dia 05 de março realizamos o encontro virtual do GRUPO DE ESTUDO.
O tema desta vez foi a biografia da artista Margareth Menezes, atriz, compositora, cantora e atualmente ministra da CULTURA.

 

17 de fevereiro de 2020

24 de janeiro de 2020

Desafio de Arte

Você sabe quem pintou esta obra?
O que poderia dizer sobre ela?


27 de agosto de 2018

Feira de Desenho e o Financiamento coletivo pelo Catarse

Estamos muito felizes

Hoje estamos muito felizes! Nossa meta de financiamento coletivo foi alcançada antes do término dos dias da campanha!

Graças a você nosso apoiador, temos mais energia para realizar nosso evento que tem como objetivos incentivar a arte e a expressão artística!

Somos muito grato a vocês apoiadores!

Equipe Organizadora

26 de maio de 2018

SLAM: identidade e resistência

Novo Cordel!
O texto é de Antonio Manoel Moreira Campos e a diagramação e ilustração é minha.
Aliás, a ilustração é uma Digigrafia.

Boa leitura






10 de maio de 2018

Cordel: Morte da Pratinha



A história que vou contar
É a mais pura verdade
Só de lembrar o ocorrido
Me enche de saudade
Eu ainda era menino
Em plena puberdade

Morava numa fazenda
Distrito de Jataí
Referências às abelhas
Que muito tinha ali
A nossa comarca
Era a cidade de Itanhomi
(2)

Cresceu em nossa fazenda
Uma branca novilha
De uma cor muito alva
Só vendo que maravilha
Tínhamos esperança
Que ela tivesse uma filha

O tempo foi passando
Se tornou uma vaca erada
Quando ficava no cio
Retirava ela da manada
Colocava com o melhor touro
Pra não ser incomodada
(3)

Sua prenhes não vinha
Era a grande frustração
Esperava novamente
Uma nova gestação
Com o tempo passando
Mais uma decepção

Era muito dócil
Desde sua nascença
Obedecia voz de comando
De quem estava na presença
Jamais se exaltou
Nesta sua vivência
(4)

Mas, para seu dono
Isso não era suficiente
Uma vaca que só pasta
Não era um bom presente
Todas vacas dando leite
Só ela estava ausente

Uma vaca no pasto
Só tem duas serventia
Uma delas é dar leite
A outra quando cria
Fora isso sua vida
Não é de grande valia
(5)

Meu avô foi irritando
Como era tratada
Já não ficava no pasto
Era sempre mimada
Espiga de milho na boca
Dado pela gurizada

Resolveu ele então
A rês sacrificar
Não podia ter animal
Que não sabia criar
Veterinário não existia
Para a vaca examinar
(6)




(7)

Quando soubemos da notícia
Foi grande a comoção
Muitos ali choraram
Foi de doer o coração
Até mesmo os adultos
Ficaram com aflição

Que se ouvia na fazenda
Eram pedidos de súplicas
Todos com olhares tristes
Naquelas paisagens bucólicas
Enquanto uns não acreditavam
Outros tinham até cólicas
(8)

Foi muito triste o cortejo
Vendo a Pratinha levada
Foi um silêncio inconteste
Ouvindo as patas na estrada
As pessoas seguindo o animal
Com suas bocas fechadas

Nunca vi algo parecido
Com tamanho padecimento
O povo com lágrimas nos olhos
Por aquele acontecimento
Ainda estávamos incrédulos
Que aquele seria o momento
(9)

Mataram a nossa Pratinha
O choro foi geral
Saiam lágrimas dos olhos
Inclusive do animal
Até o seu algoz
Nesse instante sentiu mal

A surpresa estava por vir
Quando abriram sua barriga
A Pratinha estava prenha
Isso causou intriga
Relutou em morrer
Por isso sua briga
(10)

Muitos foram os comentários
Da vaca em gestação
Não faltaram críticas
Até para seu patrão
Como matar um animal
Que tinha bom coração

Voltamos todos pra casa
Com um imenso vazio
Continuamos todos calados
Como uma noite de frio
Indignados com os adultos
Não perceber a vaca no cio
(11)

Durante algum tempo
Não comiam carne vermelha
Com certeza não era boa
Carne de vaca que ajoelha
Em seu último suspiro
Sem grito feito ovelha

Hoje trago na memória
Algumas boas lembranças
Daquela doce Pratinha
Quando éramos crianças
Pois após sua morte
Houve mais tolerância
(12)

.
.

Autor
Antônio Manoel Moreira Campos

Ilustração em Xilogravura
Elisa M.B. Carvalho


Contatos (34)
9 9997 5845
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