Arrumando os arquivos antigos, achei este texto. É do ano de 2004. Veja se ainda está atual.
VISITAS, PASSEIOS E EXCURSÕES
Apresentação
"(...) dentro das perspectivas de uma atenção mais
concentrada: Uma busca permanente dos olhos, ouvidos, de todos os sentidos
abertos à magia do mundo, fazia surgir de todas essas paisagens, agora vistas
como novas, uma incessante descoberta, imediatamente comunicada e que se
tornava coletiva."
Elise Freinet
Excursões, passeios e visitas não
estão isolados no contexto escolar. Por que essas atividades são propostas? Quando realizá-las? O que é feito antes? O que acontece
depois?
Muitas vezes, é necessário que se vá a
locais distantes, mas nem sempre é preciso ir muito longe. Podemos encontrar
nos arredores da escola o local ideal para realizá-las.
A idéia de extrapolar o espaço da sala
de aula nos remete a Freinet, que já na década de 20 realizava aulas
passeios, buscando unir a escola à vida.
Excursões, passeios e visitas são
sempre muito bem recebidos pelos alunos. É comum, portanto, que estas
atividades sejam organizadas porque são agradáveis e interessantes, o que não é
suficiente.
A prática educativa que se realiza na
escola é por natureza intencional. Assim, cabe ao professor, tendo em
vista os objetivos que pretende alcançar, selecionar os conteúdos, definir o
tipo de atividade mais adequada para abordá-los e planejar intervenções. Nessa
perspectiva, por mais interessante que seja realizar uma atividade fora da
escola, é necessário avaliar se ela atende às intenções educativas.
Excursões, passeios e visitas não
devem acontecer por acaso. Cabe ao professor considerar a validade de sua
realização.
Que objetivos pretendemos alcançar?
Partimos do pressuposto de que os
objetivos educacionais definem as capacidades que pretendemos desenvolver nos
alunos (sejam elas cognitivas, afetivas, físicas, de relação interpessoal, de
inserção e atuação social, éticas e estéticas), por sua vez, os conteúdos e o
modo de abordá-los são meios para alcançar estes objetivos.
Qual o objetivo que temos ao levar uma
turma ao teatro ou a uma exposição de artes, mesmo que não haja desdobramentos?
Esta atividade se justifica pelo fato de favorecer o desenvolvimento, dentre
outras, da capacidade estética, a qual "permite apreciar diferentes
manifestações artísticas produzidas em diferentes culturas", cumprindo
deste modo um objetivo educacional.
Como organizar essas atividades?
Na organização de uma atividade fora
da escola as questões de infra-estrutura devem ser vistas e revistas para que
se possa evitar imprevistos.
Nesse sentido, é interessante levantar
tudo o que é necessário para organizar a saída.
o
A direção da escola está ciente?
- Foi
feito contato com antecedência com os responsáveis pelo local da visita?
- Houve
confirmação através de ofício ou verbalmente? Com quem se falou?
- Os
responsáveis autorizaram por escrito a participação das crianças?
- Será
necessário transporte? Que tipo de transporte?
- Haverá
custos? Quem vai assumi-los, os pais ou a escola?
- Como
podemos tornar os custos mais baixos?
- Será
necessário levar lanche? Vamos lanchar antes de sair da escola ou no
local visitado? O lanche será coletivo?
- É
necessário levar material para anotações, ou atrapalha mais do que ajuda?
É necessário levar gravador?
- É
preciso levar agasalho?
- Tem
uma caixa de primeiros socorros para uma emergência?
- O
tempo previsto é suficiente? Que horário a turma vai sair? Qual o horário
previsto para o retorno? Há facilidade de comunicação com a escola
durante o passeio?
- As
crianças estão identificadas com um crachá contendo endereços e telefones
para contato?
- Alguns
responsáveis acompanharão a turma?
- A
saída fica inviabilizada se chover?
Sempre que possível, é interessante
que o professor, ou outro profissional da escola, vá ao local para conhecê-lo e
observar de perto as condições que ele oferece para receber os alunos. É
seguro? Agradável? É instigante para o pensamento das crianças? Há guias ou
outro tipo de assessoramento por parte da instituição que estará recebendo os
alunos?
Alguns museus e centros culturais
costumam oferecer cursos de preparação para o professor orientar seus alunos e
ter melhores informações para encaminhar os desdobramentos da visita.
Essas questões de infra-estrutura
podem ser partilhadas com os alunos durante a organização do evento, o que
favorece uma série de articulações com diferentes conteúdos. Os alunos podem
ler informações sobre o local, ler mapas para a escolha do melhor trajeto,
calcular os custos da saída, escrever o texto da autorização para os pais
assinarem, escrever com a professora o ofício solicitando a visita, listar o
que deve ser levado e tomar decisões coletivas.
O que fazemos depois?
É sempre necessário realizar uma
avaliação com os alunos. A atividade atendeu às nossas expectativas? Aprendemos
coisas novas? Os combinados foram cumpridos?
E se a saída está inserida em um
projeto de trabalho, é fundamental que o professor organize a avaliação
coletiva, levantando novas questões para o desdobramento do estudo. Respondemos
a nossas dúvidas? O que descobrimos de novo? Que decisões vamos tomar a partir
das novas descobertas?
Quando a saída da escola está sendo feita como ponto de
partida para a realização de um projeto de trabalho, é importante organizar as
etapas seguintes, considerando o envolvimento dos alunos e também discutindo
com eles os rumos e a finalidade do que se pretende desenvolver.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREINET, E. O Itinerário de
Célestin Freinet. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1979.
ZABALA, A. A prática educativa -
como ensinar. Porto Alegre, Artmed, 1998.
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