8 de maio de 2026

VISITAS, PASSEIOS E EXCURSÕES

 Arrumando os arquivos antigos, achei este texto. É do ano de 2004. Veja se ainda está atual.


VISITAS, PASSEIOS E EXCURSÕES

 

Apresentação

"(...) dentro das perspectivas de uma atenção mais concentrada: Uma busca permanente dos olhos, ouvidos, de todos os sentidos abertos à magia do mundo, fazia surgir de todas essas paisagens, agora vistas como novas, uma incessante descoberta, imediatamente comunicada e que se tornava coletiva."

Elise Freinet

 

Excursões, passeios e visitas não estão isolados no contexto escolar. Por que essas atividades são propostas? Quando realizá-las? O que é feito antes? O que acontece depois?

Muitas vezes, é necessário que se vá a locais distantes, mas nem sempre é preciso ir muito longe. Podemos encontrar nos arredores da escola o local ideal para realizá-las.

A idéia de extrapolar o espaço da sala de aula nos remete a Freinet, que já na década de 20 realizava aulas passeios, buscando unir a escola à vida.

Excursões, passeios e visitas são sempre muito bem recebidos pelos alunos. É comum, portanto, que estas atividades sejam organizadas porque são agradáveis e interessantes, o que não é suficiente.

A prática educativa que se realiza na escola é por natureza intencional. Assim, cabe ao professor, tendo em vista os objetivos que pretende alcançar, selecionar os conteúdos, definir o tipo de atividade mais adequada para abordá-los e planejar intervenções. Nessa perspectiva, por mais interessante que seja realizar uma atividade fora da escola, é necessário avaliar se ela atende às intenções educativas.

Excursões, passeios e visitas não devem acontecer por acaso. Cabe ao professor considerar a validade de sua realização.

 

Que objetivos pretendemos alcançar?

Partimos do pressuposto de que os objetivos educacionais definem as capacidades que pretendemos desenvolver nos alunos (sejam elas cognitivas, afetivas, físicas, de relação interpessoal, de inserção e atuação social, éticas e estéticas), por sua vez, os conteúdos e o modo de abordá-los são meios para alcançar estes objetivos.

Qual o objetivo que temos ao levar uma turma ao teatro ou a uma exposição de artes, mesmo que não haja desdobramentos? Esta atividade se justifica pelo fato de favorecer o desenvolvimento, dentre outras, da capacidade estética, a qual "permite apreciar diferentes manifestações artísticas produzidas em diferentes culturas", cumprindo deste modo um objetivo educacional.

Como organizar essas atividades?

Na organização de uma atividade fora da escola as questões de infra-estrutura devem ser vistas e revistas para que se possa evitar imprevistos.

Nesse sentido, é interessante levantar tudo o que é necessário para organizar a saída.

o    A direção da escola está ciente?

    • Foi feito contato com antecedência com os responsáveis pelo local da visita?
    • Houve confirmação através de ofício ou verbalmente? Com quem se falou?
    • Os responsáveis autorizaram por escrito a participação das crianças?
    • Será necessário transporte? Que tipo de transporte?
    • Haverá custos? Quem vai assumi-los, os pais ou a escola?
    • Como podemos tornar os custos mais baixos?
    • Será necessário levar lanche? Vamos lanchar antes de sair da escola ou no local visitado? O lanche será coletivo?
    • É necessário levar material para anotações, ou atrapalha mais do que ajuda? É necessário levar gravador?
    • É preciso levar agasalho?
    • Tem uma caixa de primeiros socorros para uma emergência?
    • O tempo previsto é suficiente? Que horário a turma vai sair? Qual o horário previsto para o retorno? Há facilidade de comunicação com a escola durante o passeio?
    • As crianças estão identificadas com um crachá contendo endereços e telefones para contato?
    • Alguns responsáveis acompanharão a turma?
    • A saída fica inviabilizada se chover?

Sempre que possível, é interessante que o professor, ou outro profissional da escola, vá ao local para conhecê-lo e observar de perto as condições que ele oferece para receber os alunos. É seguro? Agradável? É instigante para o pensamento das crianças? Há guias ou outro tipo de assessoramento por parte da instituição que estará recebendo os alunos?

Alguns museus e centros culturais costumam oferecer cursos de preparação para o professor orientar seus alunos e ter melhores informações para encaminhar os desdobramentos da visita.

Essas questões de infra-estrutura podem ser partilhadas com os alunos durante a organização do evento, o que favorece uma série de articulações com diferentes conteúdos. Os alunos podem ler informações sobre o local, ler mapas para a escolha do melhor trajeto, calcular os custos da saída, escrever o texto da autorização para os pais assinarem, escrever com a professora o ofício solicitando a visita, listar o que deve ser levado e tomar decisões coletivas.

O que fazemos depois?

É sempre necessário realizar uma avaliação com os alunos. A atividade atendeu às nossas expectativas? Aprendemos coisas novas? Os combinados foram cumpridos?

E se a saída está inserida em um projeto de trabalho, é fundamental que o professor organize a avaliação coletiva, levantando novas questões para o desdobramento do estudo. Respondemos a nossas dúvidas? O que descobrimos de novo? Que decisões vamos tomar a partir das novas descobertas?

Quando a saída da escola está sendo feita como ponto de partida para a realização de um projeto de trabalho, é importante organizar as etapas seguintes, considerando o envolvimento dos alunos e também discutindo com eles os rumos e a finalidade do que se pretende desenvolver.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREINET, E. O Itinerário de Célestin Freinet. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1979.

ZABALA, A. A prática educativa - como ensinar. Porto Alegre, Artmed, 1998.

 

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário